HOME-OFFICE: NÃO TEM “OBA-OBA”... O MOMENTO EXIGE CUIDADO

Apesar de muitas empresas, dentro e fora do Brasil, já estarem anunciando a manutenção da prática do home-office, o momento exige cuidado e muito planejamento

HOME-OFFICE: NÃO TEM “OBA-OBA”... O MOMENTO EXIGE CUIDADO

Por Patrícia Junqueira 

Tempo de leitura: 3 minutos 

Um artigo publicado pelo “Estadão”, no último dia 09 de julho de 2020, chama a atenção para a importância de as empresas serem cautelosas em relação à adoção do home-office como definitivo, mesmo após o final da pandemia da COVID-19. Segundo a citada publicação, após a crise gerada pela pandemia, empresas americanas chegaram à conclusão de que o home-office é positivo e apresenta bons resultados. Entretanto, ela também relata um conselho dado por Richard Laermer, dono da empresa RLM Public Relations, para as empresas que “estão correndo atabalhoadamente para os braços desse futuro remoto: não sejam idiotas”. Richar Laermer já vivenciou essa realidade há alguns anos, quando liberou seus funcionários para trabalharem remotamente às sextas-feiras, e chegou à seguinte conclusão: “Descobri que as pessoas trabalham muito melhor quando estão no mesmo espaço físico”.

 O que chama a atenção é que, apesar de a maior parte das empresas que vivenciaram ou estão vivenciado o home-office nesse momento de crise estejam indo pelo mesmo caminho (o de adotar o home-office de maneira definitiva), há também grandes empresas temerosas quanto ao efeito dessa prática à longo prazo.

Acreditar que o home-office é uma boa alternativa não é um erro, muito pelo contrário, uma vez que essa prática oferece grandes vantagens: diminuição do tempo perdido em deslocamento, maior liberdade na gestão do tempo com a família, mais flexibilidade nas rotinas, redução de custos com imóveis, dentre outros.

O erro está no fato de algumas empresas acreditarem que, por terem reduzido custos e estarem apresentando bons resultados nesse momento de crise, seu caminho para o home-office definitivo já está trilhado para o sucesso. Ainda falando da publicação do “Estadão”, há uma citação de Kate Lister, presidente da Global Workplace Analytics, que resume bem essa questão: “Trabalhar em casa é uma jogada estratégica, não apenas uma tática para economizar dinheiro”.

Esse raciocínio vai na mesma linha de uma fala da empresária Luiza Helena Trajano, durante sua participação em uma live do “Mercado e Consumo”, em que ela também se refere ao home-office de maneira questionadora. Luiza Trajano acredita que os bons resultados do home-office, na situação atual, podem ser devido à insegurança e à instabilidade pelas quais as pessoas estão passando. Nesse momento de crise econômica, com diversas empresas indo à falência, aumento do número de demissões e insegurança em relação ao futuro, as pessoas que estão ainda empregadas e em home office estão impelidas a fazer um bom trabalho para garantir certa estabilidade num momento tão desconfortável.

Nas palavras da própria Luiza Trajano, as empresas que estão com os funcionários em home-office e apresentando bons ou até mesmo excelentes resultados, são como aeronaves com o tanque ainda cheio de combustível. Mas, até quando esse combustível irá durar? Quem irá reabastecer os tanques dessas aeronaves quando a crise passar, a fase de insegurança tranquilizar, e as coisas começarem a cair novamente na rotina? O que Luiza afirma ser seu maior medo em relação ao home office é a perda da cultura empresarial. Ela acredita que a cultura empresarial é feita ali, com contato pessoal, interagindo e conhecendo as pessoas. Se essas pessoas não estão ali, não vivenciaram esses processos, ela pode não “entrar no espírito da empresa” e, “quando o combustível acabar”, essas pessoas ficariam fora de contexto.

É importante que as pessoas e as empresas se preparem para essa mudança, pois, quando ela passar a ser definitiva, outras questões irão surgir, e o home office não será apenas a “melhor alternativa para diminuir o risco de exposição ao COVID”, mas sim a nova realidade. Vale lembrar que, o que a maior parte das empresas está praticando agora não é, de fato, home-office. Home-office é muito mais que isso, mas esse assunto sobre o que é home office e como trabalhar em home office fica para outro artigo.

Esperar esse momento passar para somente então entender as exigências desse tipo de trabalho pode ser um erro fatal! As empresas devem focar em estudar como serão as dinâmicas de sua operação, como será a comunicação entre as equipes, quais serão as tecnologias aplicadas, como será a cobrança de resultados, como será criada e desenvolvida a tão importante cultura empresarial, como vão manter o engajamento entre as áreas.... enfim, as empresas têm à frente um grande desafio.

A ergonomia do home-office busca atuar como um moderador nesse momento, tentando equilibrar a balança do que é positivo e do que é negativo nessa prática. Suas vantagens devem ser mantidas e aprimoradas, da mesma forma que também é importante auxiliar o desenvolvimento de novos modelos e práticas para aquilo que não traz benefícios ou torna o trabalho pouco produtivo e desconfortável.

O problema não está, necessariamente, em adotar a prática do home-office como definitiva. Suas vantagens são muitas, tanto para empresários como para funcionários. O desafio está em fazer isso de forma segura e planejada, conhecendo as vantagens e as dificuldades, e buscando sempre melhorar o processo.

Afinal, é bom lembrar que todo desafio pode sim ter sucesso ao final, e o principal aliado é o conhecimento! 

 

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