SAÚDE MENTAL E BEM-ESTAR NO TRABALHO DIANTE DA REALIDADE DA COVID-19

A saúde mental no trabalho tem preocupado gestores dos mais diversos ramos da indústria, comércio e serviços.

SAÚDE MENTAL E BEM-ESTAR NO TRABALHO DIANTE DA REALIDADE DA COVID-19

A saúde mental adquiriu crescente importância durante a pandemia. O que já era preocupação para as empresas, tornou-se assunto número um pós- COVID-19.

Os problemas de saúde mental constituem a terceira causa de incapacidade no Brasil. Estima-se que a depressão e ansiedade serão as primeiras causas de perda da capacidade de trabalho nos próximos 10 anos, em todo o mundo, de acordo com as projeções da Organização Mundial de Saúde.

Ansiedade e medo passaram a ser sentimentos comuns para a maioria das pessoas. Essa ansiedade vem, especialmente, do fato que os trabalhadores foram submetidos a cobranças de desempenho e produtividade diante de um mercado inseguro e cada vez mais competitivo, em uma situação completamente atípica devido à pandemia. O medo em relação à instabilidade no emprego, à segurança financeira e ao adoecimento aparecem nos primeiros lugares.

Entretanto, uma mesma pessoa pode ter passado por fases diferentes e pôde vivenciar sentimentos também diferentes e muitas vezes antagônicos, passando por ansiedade, medo, seguidos de esperança por dias melhores.

Apesar de a pandemia impactar de forma diferente cada uma das pessoas, há um fator bastante comum entre as pessoas que permaneceram empregadas neste período: em diversos momentos, o trabalho delas precisou ser desempenhado às custas de sua integridade física e/ou mental, para responder à essas novas demandas. Consequentemente, desordens corporais e metabólicas sinalizam e manifestam as sobrecargas que os indivíduos sofrem no trabalho.

Dados confirmam que as inadequações nos postos de trabalho associadas a problemas de gestão tem sido um dos grandes causadores dos sintomas em membros superiores e coluna. Sabe-se que a dor, quando não tratada, é uma das principais causas de incapacidade, afastamento do trabalho, perda de funcionalidade e da qualidade de vida. No entanto, as queixas de dor e desconforto são muitas vezes negligenciadas pelas empresas, levando a gastos com afastamentos médicos, perda da produtividade, absenteísmo e presenteísmo.

Além das inadequações nos postos de trabalho, outros fatores físicos relacionados ao ambiente de trabalho devem ser analisados, além dos aspectos psicossociais e organizacionais que podem se configurar de formas diferentes, de acordo com o cargo ou função exercida, tempo de trabalho na empresa, atividades ou tarefas desempenhadas, jornada de trabalho, momento atual da empresa, que também podem contribuir para o aparecimento dos sintomas em questão. 

A investigação sobre as queixas de dor, desconforto e dificuldades nas atividades laborais é objeto de estudo da Ergonomia. É importante observar que a relação "homem-máquina-ambiente de trabalho" envolve não apenas componentes físicos como, por exemplo, o monitor e o teclado do computador, mas os programas informáticos (software e hardware) que são utilizados, os indivíduos inseridos em um contexto macroergonômico que envolve exigências de tempo e metas de produtividade e aspectos cognitivos ligados ao processamento de diversas informações para resolução de problemas.

Em outras palavras, as ferramentas da ergonomia e os conhecimentos do ergonomista, considerando-se a perspectiva dos indivíduos que vivenciam o contexto de trabalho, são fundamentais para a identificação e proposição de soluções que visem à melhoria das condições de trabalho, sejam elas relacionadas aos aspectos físicos, organizacionais ou psicossociais.

De fato, diversas áreas de estudo, como a psicologia, medicina, fisioterapia e administração, têm realizado esforços no sentido de compreender o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores no ambiente organizacional. Há um consenso de que os fatores de pressão no trabalho, capazes de gerar sintomas de stress, são passíveis de serem manejados por meio de políticas de gestão.

Desta forma, o interesse pelo estudo dos fatores ergonômicos, de pressão no trabalho e de qualidade de vida no trabalho  parte, principalmente, do entendimento de que o adoecimento dos trabalhadores é um fator de prejuízo para as organizações.

De acordo com os resultados de uma pesquisa realizada pela Mercer Marsh Benefícios (MMB) sobre as tendências em Saúde Mental na América Latina e no Caribe, na qual 880 empresas de 11 países da região participaram, apenas 1 em 5 empresas realizou um estudo ou programa interno para medir a saúde mental de seus funcionários. Além disso, os resultados da 29° Pesquisa de benefícios corporativos da MMB Brasil mostra que 46% das empresas que participaram do estudo realizam alguma ação focada em saúde mental, entretanto, grande parte dessas ações está focada no indivíduo e não abrangem ações profundas, que incluam políticas e temas organizacionais. 

Diante desse panorama, torna-se fundamental a compreensão e controle dos fatores do trabalho que impactam o bem-estar dentro das organizações. Para isso, é essencial a avaliação de aspectos relacionados à carga de trabalho, uso e desenvolvimento de capacidades, desempenho e reconhecimento profissional, apoio e cooperação, importância percebida do trabalho uma vez que estes fatores aumentam o bem estar dos trabalhadores e contribuem para reduzir a incidência de queixas musculoesqueléticas, além de manter os trabalhadores mais satisfeitos e valorizados.

Nesse sentido, buscando uma abordagem bem abrangente, a fundadora da Erguer, Ilana Calic Bcheche, especialista em Ergonomia, desenvolveu e validou em sua dissertação de mestrado um questionário a fim de analisar fatores relacionados à ergonomia e também à qualidade de vida no trabalho e pressão no trabalho.  A análise dos fatores do trabalho que influenciam o bem-estar poderá dar aporte para a concepção de programas, políticas e práticas de gestão de qualidade de vida e saúde no trabalho.

Por meio dessa ferramenta, é possível identificar quais fatores do trabalho precisam ser mais bem ajustados ou desenvolvidos no intuito de atingir níveis maiores de importância percebida no trabalho, bem-estar dos trabalhadores e prevalência de emoções positivas no ambiente organizacional.

Além disso, os resultados que são providos com a utilização do instrumento no âmbito organizacional permitirão um delineamento dos planos de ação voltados para o controle e adequação dos fatores que impactam negativamente indivíduos, equipes de trabalho e organizações.

Após a correção e/ou adequação dos problemas identificados, espera-se melhor eficácia em termos de produtividade organizacional, diminuição do absenteísmo e do presenteísmo por motivos de saúde, do índice de rotatividade e de queixas musculoesqueléticas assim como o incremento da saúde física e mental dos trabalhadores.

E você? Sabe como anda a saúde física e mental de seus colaboradores?

Entre em contato com a Erguer e solicite um orçamento para sua empresa!
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